Funchal: guia da cidade

Comer e sair

O Funchal é a capital, o porto de cruzeiros e a porta de entrada da ilha, com cerca de 105 mil habitantes e quase metade da população da Madeira na sua área metropolitana. É compacto, fácil de andar a pé e está a 20 a 30 minutos do aeroporto. Use esta página para planear a cidade — o que ver, onde comer, como circular — e as outras guias para os passeios de dia fora.

Dados essenciais

  • População: cerca de 105 000 habitantes, cerca de 145 000 na área metropolitana
  • Do aeroporto (FNC): 20 a 30 minutos de carro ou de Aerobus
  • Porto de cruzeiros: a pé da Zona Velha e da Avenida do Mar
  • Melhor base para: primeira visita, gastronomia e ambiente noturno
  • Temperatura média: 16 °C em fevereiro e 23 a 24 °C em agosto, amena todo o ano
  • Língua: português, com inglês generalizado no turismo

Os bairros — que zona é que zona

Visto do mar o Funchal parece uma faixa contínua, mas no terreno divide-se em seis zonas bem distintas, e a escolha decide desde onde janta até se precisa ou não de carro.

  • Sé e centro — a zona da catedral, dos bancos e das ruas pedonais de comércio (Fernão Ornelas, Aljube). É onde os funchalenses trabalham e almoçam. Mais sossegada à noite e a melhor base para quem quer andar tudo a pé
  • Zona Velha (Santa Maria) — a faixa das portas pintadas a nascente da Sé, com tascas de fado, grelhas de espetada, bares de poncha e a estação base do teleférico. É o bairro de ambiente noturno, animado até à meia-noite
  • Lido e Estrada Monumental — três quilómetros de hotelaria a poente do centro, com os grandes quatro e cinco estrelas de frente para o mar, complexos balneares e passeio marítimo até à cidade. A melhor base para famílias
  • São Martinho — freguesia residencial acima do Lido, com hotéis e apartamentos mais baratos, mas tudo obriga a autocarro ou táxi para descer
  • Monte — a 550 metros de altitude, alcançável de teleférico ou pela linha 021. Jardim tropical, igreja e noites mais frescas no verão
  • Santo António e São Roque — as freguesias altas a poente, onde os madeirenses vão comer espetada ao fim de semana. Vale o táxi para jantar mesmo sem lá ficar

O circuito de meio dia a pé

Comece na Sé e siga para nascente pelas ruas calcetadas até ao Mercado dos Lavradores: as vendedoras de flores em traje regional, a fruta tropical e, na cave, a lota com o peixe-espada preto, o atum e as lapas. Continue para a Zona Velha — portas pintadas, casas de fado e a base do teleférico. Suba ao Monte para a vista e a igreja e desça pela Levada dos Tornos à sombra ou nos carros de cesto até ao Livramento. Termine na marina, junto ao Museu CR7, para o pôr do sol e o jantar.

São cerca de quatro quilómetros a pé, quase todos planos, mais os trechos de teleférico e de carro de cesto. Conte um mínimo de quatro horas, cinco com pequeno-almoço demorado no mercado.

O que ver mesmo

  • Mercado dos Lavradores — mercado dos anos 40, aberto de segunda a sábado das 07h às 20h. O piso das flores e da fruta é montado para o turista, com pratos de prova a 5 euros; o mercado a sério é a lota na cave, e o peixe desaparece por volta das 11h
  • Sé Catedral — fim do século XV, um dos edifícios mais antigos do Atlântico, com um teto mudéjar em cedro-da-madeira. Entrada livre, 15 minutos chegam
  • Jardim Tropical Monte Palace — coleção de plantas exóticas, lagos de carpas, museu de minerais e painéis de azulejo. Cerca de 13,50 euros, duas a três horas, acesso pelo teleférico desde a Zona Velha (12,50 euros por sentido)
  • Jardim Botânico — outro jardim, noutra encosta: flora endémica, terraços de cactos e orquidário. Cerca de 7,50 euros, duas horas, ligado ao Monte por teleférico próprio
  • Museu CR7 — o museu de troféus do Cristiano Ronaldo, na marina. Cerca de 7 euros e 45 minutos, para adeptos
  • Fortaleza de São Tiago — forte de 1614 em amarelo e ocre no extremo da Zona Velha, com vista sobre a faixa das portas pintadas
  • Casa da Luz — a antiga central elétrica transformada num bom museu de património industrial, com entrada gratuita nas manhãs de domingo

Onde comer, zona a zona

Pratos a pedir: espetada em pau de louro com bolo do caco e manteiga de alho, peixe-espada preto com banana, lapas grelhadas com limão, atum de cebolada e milho frito. Para beber, poncha, vinho da casa e um Madeira — Sercial seco como aperitivo, Malvasia doce depois da refeição.

  • Zona Velha — a faixa turística mas cheia de ambiente da Rua de Santa Maria: fado, espetada e esplanadas. Escolha bem e evite quem angaria clientes à porta
  • Sé e centro — cozinhas portuguesas modernas, menus de degustação e as melhores cartas de vinhos. É onde estão as salas mais ambiciosas da cidade
  • Mercado dos Lavradores — peixe: compre na lota de manhã ou coma peixe-espada com banana e lapas nas tascas em redor
  • Santo António, São Roque e Estreito de Câmara de Lobos — a espetada de fim de semana dos locais, em casas sem menu em inglês e à volta de 22 euros por pessoa com vinho
  • Lido e Estrada Monumental — restaurantes de hotel, incluindo a alta cozinha com estrelas Michelin, e bares de passeio marítimo para o fim de tarde

Vida noturna, sem exageros

A noite do Funchal é mais pequena do que a de Lisboa ou do Algarve, e ganha com isso. Resume-se a três zonas: a Zona Velha, com meia dúzia de bares abertos até às 02h, música ao vivo e esplanadas; a marina e a Praça CR7, com bares de cocktails nos arcos e restaurantes ao longo da frente marítima; e o pequeno circuito de discotecas junto à marina e aos hotéis do Lido, com o casino a ter a maior sala. Fora de época, quase tudo funciona só ao fim de semana.

Como circular

O centro faz-se a pé — Zona Velha, Sé, marina e passeio do Lido ligam-se todos sem transporte. Os autocarros SIGA cobrem os subúrbios, o Jardim Botânico, o Monte e as encostas por 2,00 euros a bordo ou 1,45 euros com cartão Giro (0,50 euros de emissão na Praça da Autonomia). A Bolt é a aplicação que funciona na ilha, com 4 a 8 euros dentro da cidade e 18 a 28 euros do aeroporto.

Não precisa de carro alugado para o Funchal em si: ruas estreitas de sentido único, estacionamento pago em todo o centro (0,70 euros por hora das 09h às 19h nos dias úteis) e os silos como única solução sensata. Alugue o carro apenas nos dias em que sai da cidade.

Quando ir

O clima é ameno todo o ano, com máximas médias entre os 16 °C de fevereiro e os 24 °C de agosto e água do mar a chegar aos 23 °C no fim do verão. Os dois picos de procura são a Festa da Flor, em abril ou maio, e a passagem de ano, cujo fogo de artifício sobre a baía está no Guinness — os hotéis duplicam de preço a partir de meados de dezembro e reservam-se com um ano de antecedência.

Melhores meses no conjunto: maio, junho, setembro e início de outubro, com mar quente e sem a enchente de julho e agosto. Meses mais calmos: de novembro a fevereiro, ainda com 18 a 20 °C de dia e hotelaria 30 a 40 por cento mais barata.

Passeios de dia a partir do Funchal

  • Câmara de Lobos — 15 minutos para poente
  • Miradouro do Cabo Girão — 20 minutos para poente
  • Jardim Botânico e Monte — meio dia em circuito de teleférico
  • Pico do Arieiro ao nascer do sol — 30 minutos pelo interior
  • Porto Moniz e as piscinas naturais — 60 minutos pela costa norte, a combinar com Seixal e São Vicente
  • As grandes levadas — Rabaçal, Caldeirão Verde e Ribeiro Frio, todas a menos de uma hora

Perguntas frequentes

Quantos dias são precisos para o Funchal?

Dois dias completos cobrem a cidade: Zona Velha, mercado, teleférico para o Monte e marina. A maioria dos visitantes usa depois o Funchal como base para mais três a cinco dias de passeios pela ilha.

O Funchal faz-se a pé?

Sim, o centro é compacto e plano ao longo da frente marítima. O senão são as encostas: da Zona Velha à base do teleférico é fácil, mas para o Monte, o Pico dos Barcelos ou o Jardim Botânico convém teleférico, autocarro ou táxi.

Qual é a melhor zona para ficar?

Sé e Zona Velha para ambiente e restaurantes a pé; Lido e Estrada Monumental para hotéis com piscinas de mar; São Martinho para alojamento residencial mais tranquilo e com vista. Evite ficar a nascente do aeroporto se quiser entrar na cidade a pé.

O Funchal é seguro à noite?

Sim, tem uma das taxas de criminalidade mais baixas entre as cidades europeias. A Zona Velha e a marina estão animadas até à meia-noite, bem iluminadas e vigiadas. Aplicam-se os cuidados normais de qualquer cidade.

Vale a pena os carros de cesto do Monte?

São dois quilómetros e caros para o tempo que duram, cerca de 30 euros por dois passageiros, mas são únicos no mundo e fazem parte da história da cidade.

Preciso de carro no Funchal?

Não. Dentro da cidade o carro é um estorvo, entre ruas estreitas e estacionamento pago. Alugue só nos dias em que vai sair para a costa norte, o Rabaçal ou o Paul da Serra.

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